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:::: Cem anos sem Machado de Assis ::::

Em 2008, faz um século que o Brasil perdeu o seu maior escritor

Machado de Assis escreveu obras inovadoras e, por isso, é considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos (fotos: Academia Brasileira de Letras).

Já ouviu falar em Machado de Assis? Considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos, esse autor publicou livros inovadores, que renovaram a forma de contar uma história e introduziram o leitor na narrativa, como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas. Em 2008, mais precisamente em 29 de setembro, faz 100 anos que ele morreu. Porém, se você pensa que essa data é sinônimo de tristeza, saiba que está enganado: na verdade, trata-se de uma oportunidade para lembrar e homenagear um dos mais importantes autores do nosso país.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 1839. Na época, ainda existia escravidão no nosso país. Mas esse carioca, apesar de ser mulato, não era escravo. Aliás, o fato de ser mestiço não aparecia em seus documentos e nem era algo ressaltado pelo escritor.

Da infância de Machado de Assis, não se sabe muito. Apenas que seus pais eram pobres e que moravam na propriedade de uma família abastada, no morro do Livramento. “Os pais de Machado de Assis não tinham dinheiro e ele teve uma infância de menino pobre, negro, que não era escravo”, explica a historiadora Keila Grinberg, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, uma das autoras do livro Para conhecer Machado de Assis. A mãe de Machado morreu quando ele era muito novo e o menino teve uma madrasta com quem não se dava muito bem.

Porém, mesmo com tantas dificuldades, Machado de Assis deu um jeito de estudar. “Como seus pais não tinham dinheiro, ele não pôde freqüentar uma escola, mas mesmo assim aprendeu como autodidata, isto é, sozinho”, conta Keila. Machado de Assis não só aprendeu português dessa maneira como também francês e outros idiomas. Aliás, ele dominou essa língua de tal forma que, mais tarde, traduziria obras do escritor francês Victor Hugo e de outros autores célebres.

Sua vida profissional, aliás, começou cedo. Aos 17 anos, tornou-se aprendiz de tipógrafo, o profissional que trabalha em oficinas de impressão. A partir dos 18, tornou-se colaborador de diversos jornais e revistas, fazendo desde críticas de peças de teatro até contos, iniciando uma carreira que estaria sempre ligada à literatura. E, enquanto fazia todas essas contribuições – e ainda escrevia seus livros!
–, Machado de Assis mantinha como emprego principal um cargo em um órgão público.

Machado de Assis tinha trinta anos quando se casou com Carolina Xavier de Novais.

Em 1869, aos 30 anos, o escritor casou-se com Carolina Xavier de Novais. “Os dois eram muito próximos. Passeavam juntos, eram vistos juntos”, conta Keila. Três anos após o casamento, ele publicaria seu primeiro livro, Ressurreição, muito bem aceito pela crítica e pelo público, que lhe rendeu reconhecimento como autor.

Em 1881, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis passou a ser considerado o maior escritor da época. Junto com outros conhecidos autores, como José de Alencar e Joaquim Nabuco, que eram seus amigos, Machado de Assis teve a idéia de criar a Academia Brasileira de Letras. Em 1896, a proposta foi concretizada. “Machado de Assis já era considerado, na época, o maior escritor brasileiro e, por isso, foi escolhido presidente da academia”, conta Keila.

Contudo, com a morte de Caroline em 1904, Machado ficou muito triste, sentindo-se desanimado até mesmo para sair de casa. Assim sendo, quatro anos após a morte da esposa, Machado de Assis morreu de velhice e também de tristeza pela perda de Caroline. O escritor tinha 69 anos, uma idade considerada avançada para a época.

Machado de Assis deixou uma vasta obra, composta por romances, contos e até poesia. Ela é a prova viva do talento do maior escritor brasileiro de todos os tempos.

Bia Aparecida
Ciência Hoje das Crianças

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