:: AGOSTO: MÊS DAS VOCAÇÕES::
VOCAÇÃO MATRIMONIAL E VOCAÇÃO A VIDA RELIGIOSA
Vocação ao Matrimônio - Entrevista com João Carlos
Dando mais um passo na nossa abordagem sobre vocação, este mês apresentamos um testemunho de vida através de entrevista feita com um casal de leigos. Confiram!
1.Em um determinado momento, a gente sente um despertar para algo que nos atrai e dá sentido a nossa vida. Como aconteceu a descoberta a vocação ao matrimonio e não a outra?
Em um determinado momento da minha vida, eu fazia planos de ter uma casa, um lar, e de compartilhar com uma pessoa esse sonho. Sonhava também que nossas vidas se completariam com a chegada dos filhos. Tendo assim uma família planejada e vivendo dentro de princípios morais e Jesus como centro de tudo, estaríamos assim desenvolvendo um processo de evangelização através do nosso testemunho de vida em família.
2. A Igreja do Brasil, a partir do Concilio Vaticano II tem buscado conscientizar o povo de que o Batismo é a porta de entrada ao compromisso de todo cristão na Igreja e no mundo. A conseqüência disso é o compromisso com a causa de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundancia”. Como vocês vêem esse processo a partir da experiência de serviço que prestam à Igreja de Teresópolis na Diocese de Petrópolis?
Sabemos que todo Batizado é um vocacionado, e que a vocação é um chamado a uma missão. Nós, em família, tentamos viver com autenticidade essa vocação, através dos movimentos em que participamos e também mostrando com grande alegria o prazer de ter Jesus Cristo como centro de nossa vida.
3. Como é o dia-a-dia de vocês nas diferentes pastorais em que estão engajados e quais são elas.
O fortalecimento da nossa vida na comunidade cristã e do serviço à Igreja vem da nossa participação diária na missa. A Eucaristia é a fonte de sustento que todo o cristão deveria buscar com entusiasmo.
Sou Congregado Mariano e conselheiro da Federação Diocesana das Congregações Marianas de Petrópolis (FDCMP), um movimento da Igreja pelo qual tenho verdadeira paixão, por ter como modelo Maria Santíssima, exemplo máximo da disponibilidade e do despojamento, ela encoraja qualquer um. Junto com minha esposa, participamos do Movimento de Cursilho de Cristandade de Teresópolis, movimento de evangelização voltado para a formação de lideranças cristãs, que nos permite aprender muito a conviver com as diferenças. Somos agentes da Pastoral do Dízimo da Paróquia de Santo Antonio, pastoral essa que leva o Cristão a fazer profunda reflexão, chamando cada um para a responsabilidade com as dimensões: Humano/Divina e Missionária da nossa Igreja. Também, junto com outros paroquianos, eu divido as responsabilidades de tomar conta do patrimônio da paróquia, zelando pela sua conservação. Eu, minha esposa e meus filhos, por longa data estivemos juntos nos movimentos jovens e de adolescentes da nossa paróquia. A partir da reativação da pastoral da juventude (PJ), que tem como orientador o Pe. Jardel, um escolhido de Deus, o grupo pode tomar um novo direcionamento, não sendo mais tão nossa presença nas reuniões semanais, mas fica o nosso apoio incondicional quando necessário.
4. O que vocês diriam às pessoas que visitam o site como mensagem de um casal de leigos realizados no que são e fazem dentro e fora da igreja?
Eu diria o seguinte, plagiando o nosso querido Monsenhor Antonio Carlos da Paróquia de Santa Tereza; “Cristão sem ação é como bolinha de sabão”. Leiam as cartas de São Paulo, porque a partir daí, não é possível ser Cristão sem que tenha a necessidade de desenvolver uma ação pela causa de Jesus Cristo. Também lembro Madre Tereza de Calcutá que diz: “O importante não é o numero de ação que você pode praticar e sim a intensidade de amor com que faz cada uma delas”. Assim sendo, cada um estará a serviço de sua verdadeira vocação.
Para os que sentem o chamado à vocação do matrimonio, diria que mesmo com as dificuldades do dia a dia vale a pena construir um lar, principalmente se for fundamentado nos princípios cristãos, fazendo que a família seja a verdadeira Igreja domestica, conforme o sonho de nosso saudoso Papa João Paulo II.
Vocação a Vida Religiosa - Entrevista com Ir. Ilma
Falar agora da minha vocação religiosa é falar de algo que está muito longe e está muito perto.
Longe porque tenho 80 anos de idade e 56 anos de Vida Religiosa. Perto porque parece que foi ontem que, diante do altar da Igreja do Carmo de Mariana, fiz meus votos religiosos lendo a formula dizendo que os fazia por um ano. Ao terminar a leitura olhei para o sacrário e disse baixinho: Não só por um ano, mas para a vida inteira.
E a graça de Deus me sustentou até hoje.
Sim, a graça de Deus. Algo misterioso que inexplicavelmente nos toca, inunda nosso ser, nos impulsiona, nos sustenta.
Nunca havia convivido com Irmãs. Sempre estudei em Colégio misto, algumas vezes sozinha numa classe só de rapazes. Aos 15 anos já trabalhava em um escritório, única mulher num escritório só de homens. Alimentava o sonho de ser contadora, ter meu próprio escritório, e, quem sabe casar-me com um contador para trabalharmos juntos constituindo nossa família? Sonhos modestos, realizáveis.
Concluído o curso passei a trabalhar como contadora de uma loja comercial na Avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte.
Participava da Missa aos domingos e rezava rápidas orações ao me deitar e ao me levantar.
Um dia tomei a resolução de participar da Missa todos os dias do mês de maio.
Por circunstâncias, que seria longo narrar aqui, comecei uma convivência muito boa com moças da Paróquia onde residia. Passei a conhecer melhor a minha religião e me entusiasmei por ela.
Pensava que as freiras eram pessoas que não esperavam mais nada da vida. Eram “desiludidas” por isso se refugiavam nos conventos. Nunca havia entrado em contato com alguma delas.
Encontrei na Biblioteca da Igreja um livro que falava sobre a Vida Religiosa e achei bonito aquele ideal de deixar pátria, família, bens para se dedicar totalmente ao serviço de Deus.
No Carnaval fui com as moças da minha Paróquia fazer um retiro. E, durante o retiro, pela primeira vez, pensei em ser religiosa. Afastei rapidamente este pensamento, mas, de vez em quando ele voltava. A reflexão continuou, fui estudando, refletindo, rezando e, finalmente me decidi pela Vida Religiosa. Seria longo falar aqui sobre todo o processo de decisão. O certo é que, a graça de Deus foi agindo e cheguei a conclusão de que aquele era o meu caminho.
Tive dificuldade para escolher a Congregação, pois, não tinha contato com nenhuma. Visitei algumas casas religiosas, mas não conseguia decidir-me. Finalmente conheci as Carmelitas da Divina Providência e meu coração bateu mais forte. Ingressei nesta Congregação e tive a certeza de que ali era meu lugar.
E assim se passaram 56 anos. Sinto que acertei. Sofrendo, gozando, lutando, caminho alegre na direção daquele que me chamou e misteriosamente sustenta a minha caminhada.
Irmã Ilma Duarte Martins
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