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:: NOVEMBRO: CRISTO REI E A IDENTIDADE DO LEIGO::


No dia 24 de novembro a Igreja celebra, juntamente com a festa de Cristo Rei, o Dia do Leigo. Assim se fecha o ciclo do ano litúrgico e toda a comunidade é chamada a refletir  antes de começado o tempo do Advento e a preparação do Natal  sobre a identidade e a missão desses homens e mulheres, os cristãos leigos, que formam a imensa maioria do povo de Deus e são a esperança da Igreja.
A identidade do cristão leigo nos dias de hoje carrega todo um problema de dificuldade de definição. Por um lado, existe a tendência do simples fiel ser reconhecido, dentro da comunidade eclesial, pelo negativo, ou seja, por aquilo que não é (não é sacerdote ou ministro ordenado, não é religioso, não tem uma vocação especial). Ao lado disso está a tendência a considerar o cristão leigo um cidadão “menor” dentro da comunidade eclesial: alguém que sabe menos, que é chamado simplesmente a ouvir e aprender o que outros lhe ensinam.
Nos últimos 40 anos, no entanto, sobretudo após o Concílio Vaticano II, no começo dos anos 60, assiste-se à emergência do cristão leigo como protagonista na comunidade eclesial, assumindo serviços e ministérios antes somente exercidos por sacerdotes e religiosos.
Na verdade, o cristão leigo é simplesmente um batizado, um membro do povo de Deus. E pelo fato do batismo ser anterior a todos os outros sacramentos, fornecendo base e condição de existência à vida cristã, o leigo vai encontrar nele o caminho para pensar e viver sua vocação e sua identidade.
Dizer quem é o cristão leigo hoje, portanto, exige recuperar a concepção do batismo no Novo Testamento com toda a sua força e radicalidade. Isso permite que o cristão batizado encontre nova chave de interpretação para sua cidadania eclesial. Cristão sem adjetivos, o leigo é, portanto, membro pleno do povo de Deus. O significado mais profundo do batismo cristão é o de uma verdadeira ruptura com um certo estilo de vida e acesso a uma nova vida, totalmente diferente da anterior. Trata-se de uma transformação radical do batizado, que passa a autocompreender-se como identificado a Jesus Cristo.
Assim, no batismo, o cristão rompe com os antivalores do mundo, com a ordem estabelecida, com os poderes que escravizam. Rompe com o narcisismo que faz encontrar o sentido da vida apenas em si mesmo. E entra na dinâmica de uma entrega a um novo modo de viver e proceder, totalmente centrado e enraizado em Jesus Cristo.
Esse novo modo de vida implicará, em síntese, sair de si mesmo e viver para Cristo e para os outros. Essa é a identidade do cristão leigo. Ela significará ainda assumir na própria vida o mesmo destino de Jesus Cristo: viver servindo os outros, saindo de si; morrer pelos outros, dando por eles a vida; viver, em suma, o destino da pró-existência levada até o fim como o próprio Jesus viveu.
Na festa de Cristo Rei o leigo é chamado uma vez mais a assumir uma identidade que é a sua: uma identidade crística. E isto vai significar, cada vez mais, recriar hoje e sempre a história de Jesus de Nazaré, de forma inovadora e adequada à personalidade de cada um, à cultura e aos tempos.
Sendo, portanto, um batizado, o leigo não é nem nunca foi, nem será, cidadão de segunda categoria na Igreja, consumidor apenas dos bens espirituais e eclesiais. Mas cidadão pleno, depositário de um ministério que o faz atuar com e como Cristo.

Fonte:Maria Clara L. Bingemer  Teóloga - Jornal O Mensageiro

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