
Chegou o mês de junho e junto com ele muita alegria. É hora de união, de confraternização, de chamar os amigos, de fazer festas juninas. O traje é caipira, a fogueira, os fogos, o busca-pé, a quadrilha, as adivinhações, as bandeirinhas, o quentão, o milho assado não podem ficar de fora, afinal estes são elementos típicos da ocasião.
As “juninas” são festas folclóricas realizadas em junho pelas famílias em inúmeros países e tem como objetivo comemorar três santos: Santo Antônio no dia 13; São João no dia 24; e São Pedro no dia 29. No Brasil, o costume de festejar estas datas foi trazido pelos portugueses, que têm muita devoção aos três santos. O sentido desta devoção fica claro na própria organização da festa. Na história da vida de Santo Antônio, São João e São Pedro, encontramos o exemplo e o incentivo para que a comemoração seja, antes de tudo, uma oportunidade de união entre as pessoas que vivem em uma mesma comunidade.
TODOS PARTICIPAM
A organização de uma festa depende de muito trabalho. Por causa disso, uma festa junina não pode ser preparada por uma única pessoa, mas deve envolver toda a comunidade. Por isso, todos precisam se esforçar para auxiliar no que for possível, assim, uns podem completar o serviço de outros.
Se a festa for realizada neste clima de ajuda mútua não será difícil conseguir que ela tenha tudo aquilo de que precisa: a turma que dança a quadrilha e o marcador de passos; os sanfoneiros, as cozinheiras para os doces, canjicas, bolos e salgados; o preparador de bebidas que sabe a medida certa para o quentão e para a batida de limão; os jovens recortadores de papéis, fazendo bandeirolas e enfeites para as ruas e barracas; os contadores de histórias, lembrando os casos de santos e adivinhações engraçadas.
Uma festa junina organizada desta maneira torna-se um grande acontecimento e, com certeza, será motivo de alegria para os participantes. Basta lembrar que nos momentos de união, quando as pessoas estão trabalhando e se divertindo juntas, até mesmo o cansaço de um dia inteiro de atividades não desanima ninguém. Além disto, a alegria não acontece somente na hora da festa. Ela começa na imaginação, nos preparativos, nos trabalhos em grupo e continua depois, na lembrança, pelas novas amizades, pela gratificação de ter feito algo em conjunto com outras pessoas.
Além da sensação gostosa de ter colaborado para que alguma coisa boa acontecesse, as festas juninas têm um outro sentido profundo. Elas acontecem também para lembrar aos cristãos os exemplos de disponibilidade e fé que os santos homenageados nos deixaram na terra.
OS SANTOS E SUAS HISTÓRIAS
- Santo Antônio - Existe uma série de histórias populares, sobre a vida destes santos Muita gente, porém, continua desconhecendo quem foram eles. No Brasil, o mais popular é Santo Antônio. Sobre ele sabe-se que nasceu em Lisboa e morreu na Itália, perto de Pádua. Por isso, Santo Antônio é chamado em alguns lugares de Santo Antônio de Lisboa e em outros de Santo Antônio de Pádua. Mas o verdadeiro nome de Santo Antônio, era Fernando de Bulhões, que foi mudado para Antônio em 1220 quando o santo entrou para a ordem de São Francisco.
Dizem que Santo Antônio tinha o dom de pregar e ser entendido por todos. Ficou famoso o sermão que fez aos peixes em Rimini (Itália), quando os homens não o quiseram ouvir. Com o tempo Santo Antônio passou a ser considerado o defensor de Portugal e de suas colônias.
- São João – Era primo de Jesus Cristo. Sobre ele dizem que era um pregador intolerante e áspero. No entanto, em todos os lugares ele é cultuado pelo povo como um santo “amável, alegre e festeiro”. Tanto assim, que se tornou costume dizer que São João dorme durante todo o dia de sua festa, pois “se ele ouvir o barulho da música e ver as fogueiras, brincará tanto que o mundo poderá acabar em uma bola de fogo”. Muitos já foram os costumes que fizeram parte da festa de São João. Um deles foi o casamento. Devido à dificuldade de se conseguir um sacerdote no interior muitos noivos casavam-se na noite de São João, ao pé da fogueira, entre os padrinhos e a família. Com o tempo este costume transformou-se numa brincadeira, conhecida por todos os que gostam de festas juninas: “o casamento na roça”.
- São Pedro – Segundo a tradição, São Pedro era um homem simples e de boa fé. Mas nas histórias populares, ele aparece sempre como um personagem esperto. Inúmeras são as anedotas em que São Pedro, com sua inteligência e bom humor, impede a entrada de clandestinos no paraíso.
São Pedro é o protetor dos pescadores, ele também era pescador. Por isso em alguns lugares como o Rio de Janeiro, faz-se uma procissão marítima ou fluvial no dia 29 com dezenas de barcos enfeitados com flores e bandeirinhas.
Fonte: Jornal O Mensageiro