ECONOMIA E VIDA
O tema da CF-2010 Ecumênica - "Economia e Vida" - foi escolhido a partir de sugestões nascidas da consciência cristã das Igrejas-membro do CONIC. Na Bíblia, os pobres e todos os necessitados estão no centro da justiça que Deus exige das relações humanas e econômicas. A pobreza é produto de decisões e de políticas humanas. Reverter a situações de extrema necessidade de um elevado número de cidadãos e cidadãs brasileiros é obrigação inadiável de uma de uma sociedade como a nossa que aspira a ocupar lugar entre os países mais desenvolvidos do mundo. A Campanha quer contribuir a equacionar a relação entre economia, vida humana e conservação do meio ambiente vital. Reconhecendo a natureza social e política da economia, a CFE deve avaliar criticamente o sistema econômico hegemônico e as opções políticas dos governos a partir das condições de vida das pessoas que sofrem pelo perpetuar-se do estado de pobreza e de miséria.
As CF ecumênicas de 2000 e 2005 estabeleceram dois pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e solidária: a Dignidade Humana e a Solidariedade. A CF 2010 deve considerar esses fundamentos, pois a transformação de estruturas sociais e econômicas começa e é acompanhada por mudança profunda de mentalidade e hierarquia de valores nos indivíduos, na sociedade e na política. Educar para uma economia de justiça e solidariedade é um dos objetivos da nossa campanha. Além de denunciar que a competição e o lucro não resolvem os problemas da qualidade de vida e da conservação do meio ambiente, a CFE deve propor alternativas económicas e sistemas integrados de reformas estruturais.
Tendo presente que os DHESC e ambientais é um conjunto mínimo que deve ser ética e politicamente garantido a todas as pessoas, sem exclusão, a CFE 2010 deve mobilizar igrejas e sociedade para ações eficazes que protejam a dignidade humana das pessoas mais necessitadas e das pessoas em situação de risco. A sociedade no seu conjunto tem obrigações especiais para com os pobres e os vulneráveis.A campanha da Fraternidade deste ano está baseada amplamente no Bem comum e na Valorização da Pesssoa humana.
A campanha da Fraternidade deste ano está baseada amplamente no Bem comum e na Valorização da Pesssoa humana.
O que entendemos por bem comum?
Bem comum é o conjunto de condições sociais que permitem e favorecem às pessoas o desenvolvimento integral da personalidade.
Pio XII afirma que a riqueza de uma nação não se mede por critérios quantitativos, mas pelo bem estar do seu povo.
A Campanha da Fraternidade é desenvolvida, especialmente na Quaresma e tem como Objetivo Geral:
"Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão".
E como Objetivos específicos:
• Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem.
• Buscar a superação do consumismo, que faz com que o "ter" seja mais importante do que as pessoas.
• Criar laços entre as pessoas de convivência mais próxima, em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais.
• Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da Justiça, como dimensão constitutiva do anúncio do Evangelho.
• Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista da própria conversão.
• Esses objetivos devem ser trabalhados em quatro níveis:
• Social
• Comunitário
• Eclesial
• Pessoal
As estratégias a serem desenvolvidas são:
• Denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte.
• Educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como bem mais precioso.
• Conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todos.
Durante a Quaresma, a Campanha da Fraternidade visa ampliar:
Construção de novas relações dentro dos princípios de justiça, que são a expressão da filiação divina, buscando sempre a conversão.
Não devemos nos esquecer das Campanhas anteriores, mas viver em continuidade com elas, buscando sempre a Fraternidade e economia, providenciar tudo que é necessário à sobrevivência.
Ao caráter humano da economia, como atividade realizada por pessoas, devendo orientar-se ao serviço das pessoas, razão de ser da vida econômica e social. A economia, como ciência, deve ser orientada para o Bem Comum.
A campanha da fraternidade é dividida em 4 partes baseadas em alguns versículos do Novo Testamento:
PRIMEIRA PARTE - A vida em primeiro lugar
“Cuidado! Guardai-vos de toda ganância; não é pelo fato de um homem ser rico que ele tem a vida garantida pelos seus bens” (Lucas 12,15)
SEGUNDA PARTE - Ver
“Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e dava banquete todos os dias.
E um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, que estava caído à porta do rico” (Lc 16, 19 21)
TERCEIRA PARTE - Julgar
“Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6, 24)
QUARTA PARTE - Agir
“Senhor, eu reparto aos pobres a metade dos meus bens e, se prejudiquei alguém, restituo-lhe o quádruplo” (Lc 19, 8)
Texto de O Mensageiro