Por José António Faro da Revista Cidade Nova- dezembro de 2008
Há alguma coisa no ar como em nenhuma outra época. Um clima que traduz uma chegada. Nem todos falam disso, mas todos percebem. Até aqueles que não creem em Deus inventam alguma fábula ou personagem para justificar a exigência que sentem de felicitar, de se alegrar'. Essa frase de Chiara Lubich, da reflexão que publicamos neste número, faz intuir a universalidade do espírito do Natal.
A mensagem presente no fato de um Deus se fazer criança e vir habitar entre nós, por amor, para participar da nossa aventura terrena, não deixa ninguém indiferente. É uma mensagem que ressoa nos corações de todos os homens, cujo desejo mais profundo - embora, muitas vezes, sufocado por outros apelativos - é o amor e a fraternidade.
Deus entrou na nossa história. Vamos aprofundar a abrangência dessa mensagem trazida pelo nascimento de Jesus. Uma mensagem longe de estar circunscrita apenas aos limites das igrejas e das manifestações litúrgicas, porque permeia toda a realidade humana. O Natal anuncia que não estamos sós, abandonados a uma existência de orfandade, temos um Pai; e, por isso, podemos ainda alimentar a nossa esperança num mundo melhor.
O nascimento de Jesus anuncia também que o nosso sonho de fraternidade deve compreender todos os homens e, em particular, os últimos da sociedade (porque ele nasceu para todos. Anuncia também que, como o amor se encarnou numa criança, num contexto histórico e social bem determinado, o nosso amor deve se encarnar concretamente nos ambientes nos quais vivemos e convivemos com os outros, nas nossas cidades; e deve suscitar relações sociais - e econômicas - novas, fundamentadas na comunhão.
Além disso, num momento marcado por um esvaziamento do sentido do espaço público e da política, para os quais os cidadãos passaram a ser meros espectadores da construção da sociedade, o nascimento de Jesus recorda que o verdadeiro poder consiste em servir, em viver pelos demais. Não podemos alcançar a novidade dessa mensagem revolucionária: o Criador de tudo, anunciado como rei de Israel (e de toda a humanidade), nasce numa manjedoura, porque seus pais, retirantes, não encontraram um lugar para ele. Nasceu, assim, para identificar-se com todos os homens e com os mais pobres.
Enfim, o nascimento de Jesus é um convite a nos olharmos como irmãos e a vivermos em comunhão, "assim na terra como no Céu'.
Fonte: Jornal O Mensageiro